Todo produtor já passou por isso: “Será que eu ligo o pivô hoje?”, “Será que essa chuva que vem aí resolve?”, “Meu solo já está na capacidade de campo?”.
O manejo racional da irrigação está diretamente associado ao conhecimento da evapotranspiração, que representa a quantidade de água transferida do sistema solo–planta para a atmosfera por evaporação e transpiração. Esse processo expressa, de forma integrada, o consumo hídrico real das culturas e constitui a principal base técnica para a definição do momento e da lâmina de irrigação.
Na prática, muitos produtores ainda utilizam o método do “olhômetro”, em que a decisão de irrigar é feita observando a aparência da planta ou a umidade superficial do solo. O problema é que esses indicadores visuais só se manifestam quando a planta já entrou em déficit hídrico, momento em que perdas de crescimento e produtividade já estão ocorrendo.
Como manejar uma irrigação preventiva
Quando se utilizam dados reais de evapotranspiração, obtidos a partir de informações climáticas, e sensores de umidade do solo, passa-se a acompanhar quanto de água a cultura está perdendo diariamente e quanto ainda permanece disponível na zona radicular. Dessa forma, a irrigação deixa de ser reativa e passa a ser preventiva, baseada em números e não em percepção.
Segundo o coordenador de P&D da Irriga Global Bruno Mantovanelli, à medida em que a evapotranspiração reduz o teor de água no solo, a extração de água pelas raízes torna-se mais difícil, mesmo antes de surgirem sintomas visíveis. “Essa condição é conhecida como estresse hídrico oculto, na qual processos fisiológicos como fotossíntese, crescimento radicular e enchimento de grãos são limitados silenciosamente”, explica.
E quando existe previsão de chuva?
Do ponto de vista técnico, a decisão não deve considerar apenas se vai chover, mas sim quanto deve chover e qual é a condição atual de umidade do solo. “Se o solo já se encontra próximo do limite crítico de água disponível, aguardar uma chuva incerta pode expor a cultura ao estresse hídrico, mesmo que temporário”, completa Mantovanelli.
Por outro lado, se o solo ainda possui reserva adequada e a previsão indica chuva com volume suficiente para repor parte da evapotranspiração acumulada, a irrigação pode ser postergada. Essa análise só é possível quando se conhece o consumo diário da cultura e o armazenamento de água no solo.
Dessa forma, a integração entre evapotranspiração, sensores de solo e previsão do tempo permite evitar o estresse hídrico oculto, reduzindo riscos e garantindo maior estabilidade produtiva.
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